2016 em Filme

         O ano de 2016 foi um ano cheio de surpresas, Brexit em Junho, Trump eleito em Novembro e atentados terroristas, provando que realmente o inesperado pode acontecer.  Enquanto no mundo econômico, político e social o inesperado é sinonimo de alarme e incertezas, no mundo cinema é o exatamente o fator que o torna excitante e fascinante.

         Enquanto os críticos puristas reclamam que o mundo do cinema está repleto de remakes e sequências, eu prefiro celebrar os filmes que assisti e fizeram valer a pena a minha ida ao cinema e provar que o cinema está mais diverso do que nunca.

         O início de 2016 foi marcado pelo filme ROOM, dirigido pelo irlandes Lenny Abrahamson e baseado no bestseller de Emma Donoghue, o filme conta a trajetória de uma criança de 5 anos e sua devotada mãe confinados em um pequeno quarto de despensa. O filme foi lançado em Janeiro e desde a sua estreia recebeu críticas super positivas, especialmente para Brie Larson que recebeu o Oscar e BAFTA na categoria de Melhor Atriz e muitos outros prêmios pela sua performance. Mas toda essa aclamação nao conseguiu garantir o Oscar de Melhor Filme, que foi entregue ao filme  SPOTLIGHT , um drama baseado em fatos reais sobre a cobertura do jornal Boston Globe e a publicação dos abusos sexuais cometidos por padres. Mas não foi só nos filmes que vimos escândalos este ano, Oscar também foi motivo de manchete quando a criação da #OscarsSoWhite apontou que nas maiores categorias de premiação todos os 20 indicados eram brancos (também podemos notar que na categoria Melhor Diretor todos os indicados eram homens –  outra vez!). É um estado deprimente, mas a academia está tomando medidas certificar uma seleção mais diversificada.

         Apesar de toda a confusão, a seleção de filmes estrangeiro foi incrível, principalmente pela escolha de SON OF SAUL, ganhador de Cannes este filme húngaro relata um dia e meio na vida de Saul Ausländer, um membro do Sonderkommando no campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. Son of Saul é realmente merecedor de suas indicações, juntamente com outras produções fabulosas como o filme de Ciro Guerra EL ABRAZO DE LA SERPIENTE , uma mistura realidade e fantasia que narra a trajetória de um jovem xamã (Nilbio Torres) na Amazônia colombiana, um explorador alemão doente (Jan Bijvoet) e seu guia local (Miguel Dionisio Ramos) a procurar uma rara planta de cura, direção de fotografia inigualável e a primeira nomeação colombiana! Da França tivemos MUSTANG, um conto sobre cinco irmãs turcas aprisionadas pelo seu tio controlador. Maravilhosamente filmado e com performances impressionantes, é um filme estimulante pelo seu espírito jovial, poderoso e sua música criada por Warren Ellis.

         Ellis é um dos compositores mais intrigantes do cinema moderno juntamente com Johnny Greenwood and Clint Mansell que fez um trabalho incrível criando uma atmosfera inquietante na adaptação do livro HIGH-RISE publicado em 1975 e escrito por J.G.Ballard. É uma excelente análise sobre a sociedade moderna e como os avanços tecnológicos podem alterar a psique humana.

            MOGLI: O MENINO LOBO foi lançado em Abril e quase completamente criado por CGI e com o pequeno Mogli sendo um dos poucos atores presentes no set, este remake da Disney bateu recordes de bilheteria na Europa. Em Maio o diretor John Carney colocou um sorriso no meu rosto com o lançamento do filme SING STREET com seus adolescentes pop-tastic e suas misteriosas aventuras no mundo da música.

         Enquanto isso na França, o Cannes Film Festival ofereceu ainda mais motivos para comemorar quando Ken Loach ganhou seu segundo Palme d´Or prêmio pelo filme I, DANIEL BLAKE que conta a histório de um senhor se recuperando de um ataque cardíaco e acaba entrando no burocrático sistema de beneficios de UK. É um filme atual e completamente relevante – se você mora em UK, claro. O júri em Cannes também premiou Andrea Arnold pelo filme AMERICAN HONEY, centrado na viagem de uma adolescente com um  grupo de jovens vendedores de revistas. Filmado pelo mesmo cinematografista de I, DANIEL BLAKE , Robbie Ryan fez um trabalho excelente com enquadramento e tamanho da tela que a Andrea gosta de usar. Também vale a pena ver o ator de Transformers Shia LaBeouf trabalhando em um filme que é a própria antítese daqueles Blockbusters usuais.

         A metade do ano foi completamente dominado por um peixe esquecido que causou um splash to tamanho de uma baleia nas bilheterias. Disney-Pixar PROCURANDO DORY foi um dos vários filmes animados que respirou vida nos cinemas em 2016. Em Junho tivemos o lançamento do anime WHEN MARNIE WAS THERE, uma japonesa adaptação do livro de  Joan G Robinson  sobre uma garota vivendo com seus pais e sua misteriosa amiga Marnie. Depois disso veio ZOOTROPOLIS, que está se tornando um forte candidato para a próxima premiação do Oscar.

         Este ano também foi um sucesso para super heróis filmes, provando que público não se importa com os comentários negativos dos críticos como por exemplo o filme BATMAN V SUPERMAN de Zack Snyder que bateu recorde de bilheteria. SUICIDE SQUAD é um outro exemplo de sucesso de bilheteria e críticas ruins, na minha opinião a antecipação do filme e o uso de grandes clássicos da música no trailer criou uma atmosfera extraordinária não atingida pelo filme em si. Enfim, 2016 provou que a audiência não dá a mínima para os críticos e vão ao cinema porque querem se divertir. Apesar do desdém do público, alguns críticos conseguem perturbar a mente de diretores como por exemplo Alex Proyas, diretor de GODS OF EGYPT que usou social media para chamar de “abutres doentes que picam os ossos de uma carcaça moribunda” sem perceber que estava ofendendo o seu próprio filme. Ops!

         Enquanto alguns lançamentos causaram dramas, outros nos fizeram rir sem controle, por exemplo DEADPOOL, o auto-reflexivo anti-herói que  atingiu um respeitável número de bilheteria. CAPTAIN AMERICA também teve um bom desempenho, e DR. STRANGE ofereceu uma mistura vencedora de super-heróis, vilões e alucinações de Ken Russell.

         O ano de 2016 também encorajou o lançamento de filmes caseiros de baixo orçamento como exemplo NOTES OF BLINDNESS , uma adaptação das memórias do teólogo John Hull, que  gravou em fita cassete todo o processo da sua perda de visão. Um filme informativo, empático e profundamente espiritual, um dos melhores filmes deste ano. Outros brilhantes exemplos são CHICKEN, THE SURVIVALIST e MY FERAL HEART.

         Um dos meus filmes favoritos deste ano é UNDER THE SHADOW, ambientado em Terrain e filmado em Jordan possui qualidades de Roman Polansky e Guilhermo del Toro, é uma excelente opção para quem gosta de filmes de suspense, vai tirar o seu fôlego, acredite em mim.

         Enfim, 2016 foi um grande ano para o cinema independente e abriu grandes portas para novos talentos. Realmente podemos encontrar algo pra todo mundo, desde o retorno de  BRIDGET JONES (dirigido por Sharon Maguire), LOVE AND FRIENDSHIP (adaptação de Jane Austen) até documentários como o argumentativo 13TH . Este ano termina com um grande brinde à diversidade e ao incentivo a pequenas produções. E que venha 2017 com novas aventuras!

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